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Decoração

Decore com assimetria

Mesa de centro usada em outra disposição é uma das formas da tendência assimetria 

A sugestão é deixar de lado padrões, medidas proporcionais, combinações e alinhamentos para investir em uma casa com um certo ar de “alguma coisa está fora da ordem”, no melhor dos sentidos. A assimetria está em alta na decoração. E o melhor é que aderir ao estilo é muito fácil e não custa nada, literalmente. Basta puxar o tapete para o lado, descentralizar o quadro na parede, fixar o lustre em cima de uma das pontas da mesa de jantar, mexer na mesa de centro...

A mesa de centro, aliás, é um item perfeito para começar a brincadeira. Como o próprio nome já sugere, o móvel foi feito para ficar no meio, mas ao contrário do que se costuma fazer, não é preciso deixá-la exatamente alinhada com o sofá. A arquiteta Leila Dionizios, por exemplo, bolou uma sala, na Barra, fora dos padrões: a mesa de centro de madeira fica mais para o lado, “empurrada” por uma longa poltrona Charles Eames com pufe para esticar os pés — outra peça fora do lugar, que não faz parte normalmente do conjunto de sofás e assentos da sala. A ideia deixou um lado do ambiente totalmente diferente do outro.

— É um ótimo recurso para quebrar a monotonia e apostar em uma decoração mais inusitada — defende Leila. — O cuidado é não ficar com cara de desarrumado. A assimetria tem que ser equilibrada e harmônica.

A arquiteta Glaucia Trindade foi além e propôs um espaço que poderia se chamar “desconstruindo a mesa de centro”. No lugar de uma convencional, ela apostou em uma composição descombinada para ficar na frente do sofá, na sala de uma casa no alto da Gávea. Glaucia reuniu diversas peças diferentes, compradas na loja Área Útil. O resultado é um banco que passa por cima de uma mesa retangular de madeira, e ainda agrupados a três banquinhos coloridos La Bohème, de Phillippe Starck, e uma pequena Saarinen de mármore.

Outra possibilidade de brincar com a assimetria é fazer uma pequena rotação na mesa de centro quadrada. Em vez de deixá-la paralela ao sofá, ela forma quase um losango. Foi o que fizeram os arquiteto Ricardo Melo e Rodrigo Passos com uma mesa de laca branca baixinha e sem pés, em uma casa na Gávea. Para Ricardo, é uma forma de reinventar peças conhecidas.

— Só não pode comprometer o conforto, a circulação do lugar — diz. — Foi uma das tendências mais fortes que vi em Milão. São pequenos toques que ficam em destaque.

No mesmo ambiente, há ainda outros exemplos, como o quadro na parede que não está centralizado com o sofá. A sala de jantar também surpreende. Um enorme lustre de cristal pende em um dos cantos da grande mesa de madeira. E o enfeite que faz as vezes de centro de mesa, adivinhem, não está no centro: foi parar na outra ponta.

O arquiteto Matias Baumann teve outra ideia: o sofá não precisa ficar encostado na parede. Na casa de uma cliente, em Ipanema, o modelo de dois lugares, de couro, acabou enviesado em um canto.

— É preciso levar em consideração o tamanho dos móveis e a medida do ambiente para dar certo — aconselha Matias. — Nada muito complicado: é experimentar e perceber se ficou visualmente bonito.